Sobre ter fé e ser uma mulher de 26 anos de idade
O amanhã é tão certo como o hoje, mas sei que me surpreenderei.
Tento não ter espectativas, mas isso é meio difícil...
Sei que tudo dará certo, que os problemas de hoje são a ponte que me leva ao caminho certo. Sei do peso de cada pisada e mesmo uma decisão não tomada é uma escolha.
Ter fé no final da juventude está diretamente proporcional ao sucesso e ao fracasso
Se eu não sei o que vai acontecer e não posso ter espectativas, eu preciso de fé?
Preciso sim, preciso saber que Deus vai segurar a minha mão, que não vou sozinha, preciso saber que meus medos são pressupostos para que eu admita.. eu sou frágil e essa força que parece vir de dentro, mesmo que seja vital é espiritual, ela move as forças das manhãs quando acordo para trabalhar e quando sei que ninguém virá me ver ou adivinhar as minhas vontades, mas mesmo assim eu vou ser feliz. O amanhã é indescritível, morre-se uma manhã e se perde a necessidade de descrevê-la, mas eu tenho certeza que vou ver minhas surpresas e me certificar que o medo e angústia eram necessários neste processo onde o orgulho é um inimigo.
As coisas mais simples do mundo acabam ficando grandes demais, isso não tem haver com complexidade, tem haver com proporção, parecemos sempre frágeis, quer dizer, pelo menos eu, e se tiver mais alguém que se uma a mim em pensamento. Prefiro admitir que odeio dirigir a ser obrigada a expor as vergonhas. Tenho medo de agressão, como a maioria, mas é isso que posso encontrar. Infelizmente existe um pensamento unânime em torno do ideal de personalidade forte ser a exposição agressiva das próprias idéias, o que não é verdade. Por tal motivo preciso todos os dias ser madura o suficiente para engolir grosserias de pessoas mimadas que não tem estrutura emocional para lidar com o silêncio da vergonha alheia.
Acho que todos da minha linda família me vêem como fraca, mas eu sou forte sim, assumir profissão de risco não é apenas uma escolha “fácil” é uma decisão difícil que tive que tomar. Escolho tudo com meu grande amigo, DEUS, ele faz com que cada dia da minha vida tenha mais sentido.
Minha adolescência foi tão conturbada que eu não acho justo ser julgada como fraca, em meio ao turbilhão de vaidades da família eu fui apenas anorexica. Tenho sorte, poderia ter morrido ou me tornado uma gastadora compulsiva.. mas neste momento ninguém admite suas fraqueza, todos passaram pelo caminho fácil sempre e tudo foi lindo.
Vomitava o medo, vomitava o ser errada, porque foi nisso que pensei quando percebi ser a minha existência a razão dos problemas sérios da família, eu era o motivo da raiva da minha própria irmã. Como eu a amava e odiava mutuamente, hoje sei que ela foi uma vítima. A vaidade pode ser mais venenosa e perversa que a própria mentira, ela é uma mentira, afinal, ela é a idéia que nos leva a pensar exclusivistamente, classificatoriamente e nos afasta dos “inferiores”. Nunca quis isso e nem foi por tal motivo que desejei ser doente(anorexica).
Por uma rivalidade familiar minha irmã foi obrigada a se tornar uma cobaia perfeita para competição entre “blocos familiares”, mas ela nunca escolheu ser a neta favorita, deram esse título a ela. Ana é linda, sempre foi, seus olhos indianos se destacam por onde passa e seus cabelos ondulados e aloirados pareciam ouro de manhã, ela só queria ser só, mas não dava tempo. Ana é a pessoa mais sincera que conheço, ela defende seus ideais mesmo sofrendo, creio que isso a levou aos problemas alimentares. Quando começou a engordar o medo de todos era que ela fosse uma vergonha para a famíla, que não conseguisse arrumar namorado, ou talvez marido, então ela começou a engordar mais, o que era um distúrbio hormonal se tornou um problema grave que afetaria sua auto- estima. Ana era tão amável que comia para não desapontar os que amava, ela queria não ser cobrada, queria não ter que aprender a tocar flauta, piano e nem ir ao inglês, ela era uma adolescente normal.
Eu comecei a parar de comer, porque não tínhamos comida em casa, todos estavam de dieta e a minha irmã me desprezava, o lugar onde eu certamente a encontraria sempre era a cozinha e passei a evitar este lugar. Lembro dos dias que comia embaixo da cama, pedia a Deus para aquilo passar, eu tinha apenas 17 anos. Quanto mais a minha irmã engordava, mais eu emagrecia e não entendia o meu medo de enfrentar minha questão com ela, a questão de ser um problema, como diziam meus avós, eu teria vindo fora do tempo. Minha pobre irmã me odiava porque esse havia sido um conceito plantado na infância pelos meus avós, no início era briga de criança, tapa e pontapé, mas na adolescência eram socos na cabeça e coisas que eu quebrava, para não agredi-la, choro ainda ao descrever estes fatos, mesmo sabendo que eles me moldaram a ser uma pessoa mais humana.
A FACULDADE
Não tive namorados na adolescência, não queria ninguém que invadisse meu espaço. Meu espaço nem existia, eu fui forte para entender que precisava me afastar para que Ana fosse ela, mas isso realmente me afetou, me senti sem espaço.
A rua era o melhor lugar do mundo, por isso eu andava.. andava de manhã ao voltar da faculdade, andava sozinha no final das tarde para pensar, andava, andava e as idéias não clareavam. Queria ser psicóloga, me achava muito sensível para compreender as pessoas ou a família, hoje sei que é inteligência interpessoal e intrapessoal, qualquer um pode ter, mas eu me preocupava.
Orei, orei muito pela minha irmãe desejei amá-la, pois nem sempre era fácil, eu não era doce o suficiente para ser correspondida.
Minhas notas eram horríveis, eu não sentia vontade de estudar, queria apenas andar, dormir e comer, porque estava muito fraca.
Tive pequenos relacionamentos, sabia que era bagunça e me permitia, não porque fosse burra; era simples, eu não podia ser nada e o que vinha era lucro. Desejo que todos que passaram por mim sejam felizes. Posso não ter sido séria, mas todos fizeram parte da minha história e merecem o melhor, DEUS, ele é o melhor.
Quando andava sozinha era como se o trânsito não pudesse me tocar, desafiava a minha própria segurança e hoje entendo que o anjo de DEUS nunca me abandou, nunca estive sozinha, nunca e todas as minhas orações foram ouvidas.
A academia era uma segunda casa, saciava todo meu instinto destrutivo ali, corria tão rápido que podia ver água saindo pelos poros da pele e era disso que precisava, de perder um pouco de mim.
Percebi que precisava trabalhar quando me senti desprezada pela minha irmã, pois ela tinha um emprego e eu não, mas como eu não merecia nada me permiti a isso também.
Orava e pedia que Deus me abrisse uma porta de emprego, mas nunca me aceitavam, acho que minha aparência frágil sempre enganou as pessoas, chega a ser engraçado.
Hoje sou coordenadora de uma instituição de educação infantil, parece pouco, mas sinto como se as mãos pudessem segurar, o que é um privilégio para quem não podia ser.
Quando vagava pelas ruas, sabia que era uma vergonha, mas era aceitável mediante meu momento emocional e meu sentimento de impotência.
Quando iniciou o último ano de faculdade decidi me dar ao curso, parei de andar sozinha, a Ana já não se importava comigo e eu já colhera os frutos de orações e campanhas em favor da vida dela. Neste eu já havia conhecido meu namorado atual, o Sérgio Daniel, ele me fez sentir que eu era capaz, e por esse motivo eu me dedicava mais à faculdade. Passei num concurso antes de me formar e tirei notas altas no último ano do curso, mas nunca vou me esquecer o prejuízo dos tempos que não me dediquei mais. Ficou implícito o interesse para que meu trabalho final se tornasse uma dissertação, as professoras lamentavam por minhas notas por nunca ter trabalhado na pesquisa universitária, isso me alfineta até hoje.
RELACIONAMENTO
O Sérgio foi o único cara que soube da anorexia e crises de autoflagelação, eu me punia, me arranhava quando sentia raiva de mim. Tive um pequeno relacionamento com um rapaz que me batia também e sempre que voltava para casa depois de tê-lo encontrado tinha uma crise bulímica. depois darei curso a este diário
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