quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sinceridade

Ela existe, mesmo que contra a vontade do ser..
A sinceridade é aquele algo que a gente precisa, mas não necessita. Como eu queria afogar a minha e ser outra para nunca magoar ninguém, nem ser magoada, seria tão mais fácil.
Queria poder calcular cada palavra dela para saber o tamanho dos prejuízos e depois fazer um plano de cortes, do tipo que fazem os políticos e economistas; a vida fica tão fácil quando evitamos conflitos e exposições. Não devemos expor angústias e o que tem dentro da casa de sonhos.
Para começar, ninguém se interessa pela casa de sonhos pq ela não faz sentido, só faz sentido para o próprio dono; este por sua vez guarda nela o que quiser. A minha casa de sonhos é bem grande pq ela quer que caiba até o que não sabe, nela tem brinquedos e livros, mas não tem flores, tem plantas crescendo na varanda a céu aberto. Na minha casa de sonhos ventila muito pq ela está aberta para trocas de eventuais coisas e pequenas especulações. Ninguém deveria expor sua casa nem seu disco furado para tudo mundo e a sinceridade é a velha aliada daqueles que tem sede de exposição, que adoram abrir o porão de lembranças pq não tem coragem de jogar fora coisas velhas, antes tem prazer em ver a feiúra, pq é uma espécie de narcisismo cíclico com as próprias frustrações
Acho que sou uma dessas pessoas que ama a sinceridade e tem a casa de sonhos arrombada e algumas vezes abre o porão chutando a porta e assusta com o que vê.
Quero fazer uma limpeza no porão e pedir p sinceridade se conter um pouco, quem sabe assim não sofro menos?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

FAMILIARES..

Meus familiares são ótimos.. Alguns adoram o fato de eu não ser competitiva e outros não aceitam Luciana.. preferem algo vulnerável a boas escolhas e status( o que eu nunca fui). Sou aquela que às vezes faz questão de não ser, sou uma contradição, mas sou feliz assim.. sendo professora, sendo coordenadora, sendo hoje uma voz na educação infantil( trabalho atualmente como coordenadora de uma instituição de educação infantil). Tenho a revolta de qualquer pessoa que foi excluída ou que é digna de dó em um círculo social frágil e elementar; todos estão acostumados a isso, pessoas que ocupam posição hierárquica politicamente adquirida e pessoas que lutam para manter oi status quo e sinceramente isso não me incomoda realmente. No início eu me retirava dos eventos quando incomodada, mas tenho aprendido que se sujeitar à dominação da elite familiar é apenas uma questão de respeito. Mesmo sabendo que todos fingem se importar conosco e odiando isso precisamos amar as pessoas, afinal elas também pensam isto de nós.
No que diz respeito a escolhas sinto um grande orgulho de ter feito as minhas, mas este é o ponto crucial, pois ele determina a forma como o grupo familiar te constrói e vc pode ser áspero diante das alfinetadas e demonstrar que se importa com a opinião ou que simplesmente é marxista e irá até o fim no que pensa ou sorrir fingido, pois esta é a atitude do esperto.
Não gosto de criar problemas para os outros, mas é engraçado como a nossa existência implica em problema (PROBLEMA).
Isto me define às vezes e explica as sessões de autoflagelação das quais me recordo, sou filha do diu e isso diz tudo. Não era para eu existir, afinal.. Pobre da minha irmã mais velha( devo salientar que mesmo tendo passado muitas dificuldade em meu relacionamento de irmã, hoje somos amigas de verdade e torço muito pelo sucesso dela, ela é especial!), mas eu era um problema, minhas avós queriam bater na mamãe, achavam que ela era uma pervertida, como podia engravidar tão rápido?? e esta raiva foi atribuída a mim, eu era egoísta e tudo que queria era minha mãe e além do mais cheguei na pior hora do mundo.
A gente aprende muita coisa com os familiares, comooo pq existem os familiares? Fazemos essa pergunta em eventos como: natal, aniversário, ano novo, derivados..
Eles são a nossa inspiração, nosso antiherói, nossa combrança social coerciva e motivo pelo qual queremos sempre reafirmar quem somos.
Apenas uma coisa que eu aprendi, faço questão de frizar: " nunca diga nada alma carregada, deixe a falsidade falar, pois a verdade machuca muito e quando sorrimos concordando com tudo todos tem a impressão que somos equilibrados".. ( PALAVRAS DE QUEM TEM DISFUNÇÃO, fiquei sabendo esses dias que minha avó diz isso sobre mim, o que deve justificar minhas explosões a ela pelos erros do passado)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sobre ter fé e ser uma mulher de 26 anos de idade

O amanhã é tão certo como o hoje, mas sei que me surpreenderei.
Tento não ter espectativas, mas isso é meio difícil...
Sei que tudo dará certo, que os problemas de hoje são a ponte que me leva ao caminho certo. Sei do peso de cada pisada e mesmo uma decisão não tomada é uma escolha.
Ter fé no final da juventude está diretamente proporcional ao sucesso e ao fracasso
Se eu não sei o que vai acontecer e não posso ter espectativas, eu preciso de fé?
Preciso sim, preciso saber que Deus vai segurar a minha mão, que não vou sozinha, preciso saber que meus medos são pressupostos para que eu admita.. eu sou frágil e essa força que parece vir de dentro, mesmo que seja vital é espiritual, ela move as forças das manhãs quando acordo para trabalhar e quando sei que ninguém virá me ver ou adivinhar as minhas vontades, mas mesmo assim eu vou ser feliz. O amanhã é indescritível, morre-se uma manhã e se perde a necessidade de descrevê-la, mas eu tenho certeza que vou ver minhas surpresas e me certificar que o medo e angústia eram necessários neste processo onde o orgulho é um inimigo.
As coisas mais simples do mundo acabam ficando grandes demais, isso não tem haver com complexidade, tem haver com proporção, parecemos sempre frágeis, quer dizer, pelo menos eu, e se tiver mais alguém que se uma a mim em pensamento. Prefiro admitir que odeio dirigir a ser obrigada a expor as vergonhas. Tenho medo de agressão, como a maioria, mas é isso que posso encontrar. Infelizmente existe um pensamento unânime em torno do ideal de personalidade forte ser a exposição agressiva das próprias idéias, o que não é verdade. Por tal motivo preciso todos os dias ser madura o suficiente para engolir grosserias de pessoas mimadas que não tem estrutura emocional para lidar com o silêncio da vergonha alheia.
Acho que todos da minha linda família me vêem como fraca, mas eu sou forte sim, assumir profissão de risco não é apenas uma escolha “fácil” é uma decisão difícil que tive que tomar. Escolho tudo com meu grande amigo, DEUS, ele faz com que cada dia da minha vida tenha mais sentido.
Minha adolescência foi tão conturbada que eu não acho justo ser julgada como fraca, em meio ao turbilhão de vaidades da família eu fui apenas anorexica. Tenho sorte, poderia ter morrido ou me tornado uma gastadora compulsiva.. mas neste momento ninguém admite suas fraqueza, todos passaram pelo caminho fácil sempre e tudo foi lindo.
Vomitava o medo, vomitava o ser errada, porque foi nisso que pensei quando percebi ser a minha existência a razão dos problemas sérios da família, eu era o motivo da raiva da minha própria irmã. Como eu a amava e odiava mutuamente, hoje sei que ela foi uma vítima. A vaidade pode ser mais venenosa e perversa que a própria mentira, ela é uma mentira, afinal, ela é a idéia que nos leva a pensar exclusivistamente, classificatoriamente e nos afasta dos “inferiores”. Nunca quis isso e nem foi por tal motivo que desejei ser doente(anorexica).
Por uma rivalidade familiar minha irmã foi obrigada a se tornar uma cobaia perfeita para competição entre “blocos familiares”, mas ela nunca escolheu ser a neta favorita, deram esse título a ela. Ana é linda, sempre foi, seus olhos indianos se destacam por onde passa e seus cabelos ondulados e aloirados pareciam ouro de manhã, ela só queria ser só, mas não dava tempo. Ana é a pessoa mais sincera que conheço, ela defende seus ideais mesmo sofrendo, creio que isso a levou aos problemas alimentares. Quando começou a engordar o medo de todos era que ela fosse uma vergonha para a famíla, que não conseguisse arrumar namorado, ou talvez marido, então ela começou a engordar mais, o que era um distúrbio hormonal se tornou um problema grave que afetaria sua auto- estima. Ana era tão amável que comia para não desapontar os que amava, ela queria não ser cobrada, queria não ter que aprender a tocar flauta, piano e nem ir ao inglês, ela era uma adolescente normal.
Eu comecei a parar de comer, porque não tínhamos comida em casa, todos estavam de dieta e a minha irmã me desprezava, o lugar onde eu certamente a encontraria sempre era a cozinha e passei a evitar este lugar. Lembro dos dias que comia embaixo da cama, pedia a Deus para aquilo passar, eu tinha apenas 17 anos. Quanto mais a minha irmã engordava, mais eu emagrecia e não entendia o meu medo de enfrentar minha questão com ela, a questão de ser um problema, como diziam meus avós, eu teria vindo fora do tempo. Minha pobre irmã me odiava porque esse havia sido um conceito plantado na infância pelos meus avós, no início era briga de criança, tapa e pontapé, mas na adolescência eram socos na cabeça e coisas que eu quebrava, para não agredi-la, choro ainda ao descrever estes fatos, mesmo sabendo que eles me moldaram a ser uma pessoa mais humana.

A FACULDADE

Não tive namorados na adolescência, não queria ninguém que invadisse meu espaço. Meu espaço nem existia, eu fui forte para entender que precisava me afastar para que Ana fosse ela, mas isso realmente me afetou, me senti sem espaço.
A rua era o melhor lugar do mundo, por isso eu andava.. andava de manhã ao voltar da faculdade, andava sozinha no final das tarde para pensar, andava, andava e as idéias não clareavam. Queria ser psicóloga, me achava muito sensível para compreender as pessoas ou a família, hoje sei que é inteligência interpessoal e intrapessoal, qualquer um pode ter, mas eu me preocupava.
Orei, orei muito pela minha irmãe desejei amá-la, pois nem sempre era fácil, eu não era doce o suficiente para ser correspondida.
Minhas notas eram horríveis, eu não sentia vontade de estudar, queria apenas andar, dormir e comer, porque estava muito fraca.
Tive pequenos relacionamentos, sabia que era bagunça e me permitia, não porque fosse burra; era simples, eu não podia ser nada e o que vinha era lucro. Desejo que todos que passaram por mim sejam felizes. Posso não ter sido séria, mas todos fizeram parte da minha história e merecem o melhor, DEUS, ele é o melhor.
Quando andava sozinha era como se o trânsito não pudesse me tocar, desafiava a minha própria segurança e hoje entendo que o anjo de DEUS nunca me abandou, nunca estive sozinha, nunca e todas as minhas orações foram ouvidas.
A academia era uma segunda casa, saciava todo meu instinto destrutivo ali, corria tão rápido que podia ver água saindo pelos poros da pele e era disso que precisava, de perder um pouco de mim.
Percebi que precisava trabalhar quando me senti desprezada pela minha irmã, pois ela tinha um emprego e eu não, mas como eu não merecia nada me permiti a isso também.
Orava e pedia que Deus me abrisse uma porta de emprego, mas nunca me aceitavam, acho que minha aparência frágil sempre enganou as pessoas, chega a ser engraçado.
Hoje sou coordenadora de uma instituição de educação infantil, parece pouco, mas sinto como se as mãos pudessem segurar, o que é um privilégio para quem não podia ser.
Quando vagava pelas ruas, sabia que era uma vergonha, mas era aceitável mediante meu momento emocional e meu sentimento de impotência.
Quando iniciou o último ano de faculdade decidi me dar ao curso, parei de andar sozinha, a Ana já não se importava comigo e eu já colhera os frutos de orações e campanhas em favor da vida dela. Neste eu já havia conhecido meu namorado atual, o Sérgio Daniel, ele me fez sentir que eu era capaz, e por esse motivo eu me dedicava mais à faculdade. Passei num concurso antes de me formar e tirei notas altas no último ano do curso, mas nunca vou me esquecer o prejuízo dos tempos que não me dediquei mais. Ficou implícito o interesse para que meu trabalho final se tornasse uma dissertação, as professoras lamentavam por minhas notas por nunca ter trabalhado na pesquisa universitária, isso me alfineta até hoje.

RELACIONAMENTO

O Sérgio foi o único cara que soube da anorexia e crises de autoflagelação, eu me punia, me arranhava quando sentia raiva de mim. Tive um pequeno relacionamento com um rapaz que me batia também e sempre que voltava para casa depois de tê-lo encontrado tinha uma crise bulímica. depois darei curso a este diário

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Creio que todos tenham algo escrito em algum pedaço de papel; eu me surpreendo comigo quando encontro pedaços do meu pequeno passado e deixo nessa página vaga alguns pensamentos extraídos de dois velhos cadernos:


Aprendi a demolir o picar
Ensinei os meus olhos a olhar fixo

Muitas vezes a pior dor é a de não dizer; a de não chorar de fome, nem partir o pé de birra ou torcer o bico de saudade e outros atributos que enfeitam a face daquele que espera.
(2006)

Sempre gostei da terra depois da chuva
Mas eu nunca pensei sendo planta que não se enxuga
Porque os ventos ainda fazem frio
Meus pés tem raízes no chão
Meu caule parece sem seiva
Vejo todos com a vergonha tão exposta, mas mesmo assim parecem tão altos , parecem tão fortes, parecem flutuar sob o chão.
Criei as raízes do pensamento, mas sou planta cujo vento não move folhas de esperança. Balança, mas não sinto.
Dança a estender o geotripismo agudo de um solitário do último heredidátio que a mãe natureza produzi sem querer

(2006- Luciana Garrida)

Presente, ausente, ausente, sorridente?
Nada disso importa no velho diário quando se sabe por um segundo a resposta que se responde e nada diz que desenhe a cor do giz e lhe encerre a pó de cal branco os conteúdos que dizem o afora, mas nem tem certeza do agora sem um raio humano de vista

(2006)


Voltas quadradas aos mesmo lugares, das idas e vindas, salas, estares..
Segredos sem surpresa, corredores vazios das tantas casas.
Estamos no afora, embora viajando o centro da casa
Quando algumas palavras se cansam das letras
A sopa de letrinhas tem apenas um sabor:
A casa barulhenta dos quartos à cozinha
O ruído dos carros atravessados
Uma batida para o tempo de uma viela
E nós continuamos das outras enforcados
(2006)

Parece não ter tido nunca vitória sobre o apertamento de nossas pernas.
Mulheres cujas calças de liberdade hoje aprisionam
Rasgam as saias fantasmagóricas do passado.
que as calças não tenham comprimento algum.
Que as alcinhas realcem as vestimentas que enfeitam as coisas, coisas que são mais que as próprias roupas
Ser mulheres vestir pernas às calças tamanho 38 e andar o eterno caminho de lutas desiludidas com o zíper da libertação que fecha qualquer passado na ponta dos dedos, suga o supor do calor de dessabor da romântica nudez
(2006)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Virada...

Muitas vezes me pergunto o porque da virada
Por quê?
virar o ano, virar a vida, virar meu pensamento?
A terra se revira, as pessoas morrem quando o vento vira tempestade e nós ainda soltamos fogos de artifício na virada
Quero virar uma fada madrinha para trazer de volta desejos que esqueci
O ano muda em uma vidara e na vida não se muda nada, a não ser por um segundo
Ando querendo viradas mais vagarosas, onde se transforma o caminho e a caminhada, o caminhante que não sabe muita coisa apenas descobre que sempre esteve no caminho certo
virando uma adulta, virando mais um dia nesse novo 2011


Luciana Garrido

sábado, 5 de junho de 2010

coisas minhas

traída pelo pecado do tempo sou aspirante à balzaquiana, pois não tenho essa força toda.. na fraqueza do vidro eu brilho meus próprios cacos e as lembranças mais recentes me incomodam como qualquer promessa não cumprida. A beleza do nome cabe em história de novela e a morenice praiana revela a face de quem não teve medo de andar nem fugir do desconhecido.
Temo que viva o reflexo do dia para sempre, porque a noite é morta e eu não aprendi a vivê-la.
Queria ser algo que transcende e no fundo sei que todos nós fazemos parte das cinzas que compõe a luz.
O amor que eu conheço é sempre vil e egoísta, quero aprender a amar o compromisso para compreender esses laços estranhos da eternidade
sou essa e aquela de 5 minutos atrás, sempre com medo das horas que não voltam ..

Luciana a Garrido

A verticalidade da vida tem separado .... grandes amizades, sonhos de viagem que nunca fiz
enquanto insetos viajam para tão longe perdemos até nossos ideais
prefiro ser errada do que perder minha essência e andar meus passos a ser manipulada
esta linha ténue tem um ponto final e enquanto os verticais acreditam em céu aberto vou pisando com pés nus a areia deitada, vou olhando o céu calada, brilhante, única

(mais algumas vozes do pensamento subalterno de Luciana Garrido)

É possivel ficarmos horas divagando em torno das velhas lembranças.
Na tentativa de construir um livro cheio de recortes conexos ligados com fita crepe, até porque o tempo não nos permite grandes acabamentos.
vejo algumas fotografias e palavras tão estranhas, tão incríveis que percebo; os opostos realmente se atraem..
Esses lados de mim que nada tem de parecidos formam uma essência historicamente construída, intrínsecamente amparada pelos rumos socialmente assumidos e íntimamente guardados

lucimaranduci

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

título

Classe, ordem, tribo, tipo, tipo assim.. uma forma de identificação
essa coisa que eu não sei de mim, ninguém compreende esse ser estranho nascendo de dentro de si e muitas vezes é uma vida sem identidade. Temo ser tão só quanto essa que nasce em mim, sem amigos nem preferência, seus gostos são indiferentes, tão acaracterísticos.
Eu que sei bem o poder da palavra venho buscar uma definição, uma classificação cheia de características, talvez uma bula explicativa, enfim um título..