sábado, 9 de maio de 2009

desejo de poesia

minha poesia hoje queria ter a voz do grito

a força da multidão

o afeto do milagre

talvez a musa da inspiração

minha poesia hoje é só uma intenção cansanda, uma ironia guardada entre a face sonolenta e o travesseiro úmido do sonho

minha poesia vai noite adentro

sobre a lua fria

quem quer ler minha poesia?



luciana Garrido

desejo grosso

existe uma vontade de ser árvore
antiga e forte, dura como a morte
cheia de folhas caídas
desejo de segurar galhos e frutos
desejo de balançar, molhar, queimar
e nunca, nunca sair do lugar
desejo dessa frieza altiva
desejo da passividade nociva de não lembrar nada
desejo de beber os nutrientes da terra, de estabelecer trocas com um meio certo
existe uma vontade forte, dura como a sentença
antiga e atingida pela voz muda da própria dor

sexta-feira, 8 de maio de 2009

jardim das flores iguais

era o seu nome ditadura
mas todos entendiam jardim
e não haviam os rosas ali
as abelhas eram cegas e bebiam o mesmo mel
os gatos magros ali dormiam
jardim do pequeno mundo parecia uma foto escandalosa
de brotos iguais e abelhas gordas
o que eu era ali?
eu era feia e desengonçada
pisava torto
em meio à ventania do outono fugi,
fugi, tonta,acordei..
o desmaio era o sonho
a feiúra minha felicidade
de não estar presa nas estações desse jardim

Luciana Garrido

domingo, 3 de maio de 2009

O Formato da flor

essa figura do passado demarcando o presente
tem cheiro segurança e desejo de fruto
incompreensível e delimitada tem pétalas invisíveis
paramos quando sentimos sua presença
mergulhamos no pólem sem nome
o formato das escolhas é o mesmo dos medos
como uma maleta independente e segura
somos nós perante o formato da flor
sonhos a constróem, edificada pela fé
como um dia certo, a vida tem um formato
acordando e murchando nos jardins do tempo

Luciana garrido