quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Pulsão de Morte

Mãos suadas espatifando
Baratas, formigas estalando
Esquecem-se o dia do fim
A libido é louca e viciada
È endorfina tarada evacuante

( A pulsão de morte, não tem outro fim senão a descarga
imediata TERRAZAS 2002 PG. 99)

ele larga restos mortais da barata
mãos fedendo deslocamento
(O deslocamento é um impulso ou sentimento inconsciente deslocado de um objeto original para um objeto substituto D`ANDRÉIA 1982 pg 22)
Patas mechendo sozinhas e olhos esbugalhados
Vergonha e medos adormecidos
Quando o deslocamento é descoberto
Carne nua desencarnando a víbora
“Através do deslocamentoo o indivíduo é protegido do sofrimento que resultaria da consciência real” ( D´ANDRÉA 1982 p. 22)
E se autodevora no chão remelento
Agora o vermelho arranha o chão
Pulsão de morte

Lucianta

MASTURBAÇÃO

Sangue brilha nas telas
Sangue corre nas veias, acelerando-se
Sangue por sangue
Olhos vazios cheios de prazer
Quando o desejo é carne morna
Ele se entrega a masturbação
(Quando a masturbação é excessiva
supõe-se dificuldade na personalidade
D’ANDRÉIA 1982 PG. 68)

Esse cara normal babando pelo nariz
Masturbando seu desejo por sangue de meretriz

Todo dia ele quase cego de desejo
Passa pela rua de cheiro mais carniceiro
É para aliviar essa louca tensão
Que ele vai à locadora a procura de masturbação
Que não envolve nenhuma evolução
Seu prazer são fantasias de destruição

LUCIANA GARRIDO

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Borboleta assassina

Cores encarnam a cor
Única, estabelecida por uma bastarta
Voando em tardes fatídicas e salivando de desejo
Escarra entre eles suas cores oníricas e falsas
No silêncio político se impõe
Asas vermelhas cobrem o céu
E seleciona assim suas presas
Entregues ao pavor das víceras famintas
Explodindo ao calor do inferno dos homens
Mudos, cegos e surdos
Alimentados por cuspe quente
Costas altivas entregues á sorte

( Eles herdaram da geração de seus pais a experiência de uma intromissão maciça da violência criminosa na política: aprenderam no colégio e na Universidade a respeito dos campos de concentração e de extermínio, sobre genocídio e tortura ARENDT 1970 pg. 11)

Assim repousam encarniçados vivos
Os filhos sem face
À sombra das asas da borboleta assassina